Nasceste, gato malhado
(tal como eu nasci)
Com pouco pelo e aconchegado,
De olhos pesados e ensanguentado.
Te limparam a pelagem
Com carícias e te encheu,
Tua mãe, de mimos e miragem.
Miragens de amor,
Amamentadas com calor tranquilo.
E depois cresces e fazes-te reguilo:
Brincas com fervor,
Nas ruas de felino
Rodeado por flores cheias de cor.
Não esqueces sequer nenhum caminho,
Nem a mínima placa de STOP.
E ao voltares o teu bigodinho,
Com os teus passos de galope,
Passeias para o jardim do vizinho,
Calcando as mesmas pegadas sem retoque.
E logo, quando já estiveres em casa tua,
Os sonhos dantes sonhados,
Tornam-se mais dourados
E alvos. Tornam-se reais pela ingenuidade
Sincera dos teus poucos muros saltados.
Sim tu, gato malhado!
Hás-de perceber que de ingénuo,
Nada havia nesse e naquele telhado.
Nada, senão o engenho
Das ruas que te carrearam,
E com as suas luminentas sombras te lograram.
Hás-de de ver,
Que os sonhos doirados
Eram poeirentos.
Que até os ventos mais pesados
Serão obstados para os bafejar
E de todo a nevoaça os limpar.
(pensado e escrito na aula de Biologia - 12º ano)
(pensado e escrito na aula de Biologia - 12º ano)
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