segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Madrugada

À quatro meses quase via
Da noite, eclodir o dia.
Mas tal era o brilho
Daquela madrugada,
Que deixou, a noite
Do costume privada.
E privou o dia de nascer,
Pois dois amantes
Se haviam de conhecer.
Caminhantes distantes,
Entrelaçados para o destino tecer.

Foi à 4 meses q’essa madrugada m’iluminou.
Me fez parar no tempo, e todos os ruídos calou,
Dando lugar à melodia tentadora
- e com os seus lábios ela me beijou -
Duma paixão avassaladora.

Mas não durou
Mais que esse madrugar,
E o destino os separou,
Para um dia os voltar a juntar.

Para Sempre…

Eu consigo ouvir o bater,
Do seu coração
A quilómetros de distância.
Sinto-a junto a mim
Solta de toda a inconstância.
Tal fogo é puro clarão,
Sou eu cinzas,
Se sem ela viver.

Habituei-me ao seu sorriso
E desacreditei no sentido de beleza.
Tão perfeito que despreciso
Cantar que é digno de princesa.

E os seus lábios! Quentes,
Doces de pureza…
- e de pecado ardentes -
Sedutores de tal rareza,
Que sou drogado por natureza.

E o olhar felino! Não há nele justeza.
Pois é insuportável cruza-lo
Sem que me toque
(fundo).
Olhar de tigresa...

Mas careço do seu toque acolhedor,
Do abraço perdido.
E finjo ser actor,
Encenando que sem ela, faz sentido,
O amor.

Contudo sempre que acordo,
Parece que a ouço:
- “Ursinho”
Com a sua voz ternurenta.
E um sorriso esboço,
Sem jeito,
De mansinho,
Para não ser suspeito,
(ou tentar ser perfeito)
Da saudade que se acinzenta.

E sei que um dia seu mundo,
Hei-de assaltar.
4 meses não me chegam,
É a tal para eu amar.
E saudade que continue a turvar!
Ou o ciúme!
Pois nada nos vai separar.

Nem a sociedade!
Que não nos vê de bom agrado.
Não nos há-de tirar a liberdade,
Dum amor pouco abençoado,
Mas raivoso por triunfar,
Que a todos há-de mostrar,
Que não se contam oceanos,
Para se puder amar.

Entrei num deserto de poeira
Mi,
E de lá não saio,
Sem ti.
Digam o que disserem!
Não passam de bocas de desmaio,
Pois acreditem,
Isto é só o ensaio.

E ensaio,
Quando saboreio o ciúme na boca.
Para não parecer cobaio,
Da raiva louca,
Que me devora
A alma…
E que ninguém me aparte da aurora
Boreal que me ilumina na noite,
E me preenche o coite,
De paz e de calma.

Pudesse eu saber que tu choravas!
Pois no teu coração,
Já com nada mais te preocupavas
Senão,
Com a saudade da nossa madrugada.
Que de tão intensa ter sido,
Te deixou abandonada,
E a mim, de vida desprovido.

Quantas vezes eu (ingénuo) te pedi,
Para limpares do rosto as gotas
De sangue, que eu te escorri.
Com palavras marotas,
Porque nunca te esqueci.

Sem saber que tanto custava,
Engolir o vazio aos molhos…
E quando me vi rodeado de escuridão,
Realizei,
Qu’a saudade é um sentimento que ao encher no coração,
Escorre pelos olhos.

Sinto tanto a tua falta…


Amo-te