quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pirilampos

Como é que é possível estar a dormir e acordado ao mesmo tempo? Como é que é possível num dia solarengo e estar eu à janela olhando para a ténue luz crepuscular duma manha? A minha folha branca coberta de fumo tenta agarrar-me mas não é o branco que eu vejo. Vejo um quadro de um pecado onde Ele nasceu. Não! É pecado aos olhos dos outros, mas nos meus é o inicio de uma odisseia...

Lembro-me da noite em que nasceu. Não é bem, bem uma lembrança. Porque é que a tento reproduzir ao escrever isto? Só te apetece escrever tigre, mas porque será? Ultimamente tem sido assim na minha cabeça… “O que é que estas a fazer?”, “Estou a desenhar professora”… Escrever deixou de ser desenhar? Quem me dera ser artista para pintar isto em vez de grafar. Ou então ser um peluche, um urso com um coração encarnado cosido no peito, um que tenta representar-me. Eu sei. Eu sei que não faz qualquer sentido o que escrevo pelo menos para vocês, os poucos que tem paciência para ler o ridículo blogue. Mas se o urso O consegue receber todos os dias, eu tento, ainda, compreende-lo. Esta é a história de quando voltei a poder ser eu, de quando Ele, fez com que, outra vez, eu volta-se a estar completo. Como é que é possível olhar para um descampado sujo e para uma rua vazia e ver uma outra paisagem?

Parece absurdo. Tudo começou numa máquina, no tão reconhecido faceboook. Foi um encolher de ombros, objectivamente porque sabia que de lá ia sair um novelo denso de arrependimento e problemas. Passou uma noite. No dia seguinte o calendário era melhor, uma tarde na praia. Uma praia negra coberta seixos negros escaldantes debaixo do salgado oceano e uma escarpa castanha, medonha, totalmente torta, lembrando uma certa torre torta em Itália. O dia foi feito de maus presságios, quer na estrada, quer na agua… Nem assim o meu espírito em férias acalmou a boa vibe. Não vou enganar que sabia o que ia acontecer. A Didi recebeu uma chamada, estava ela no Mac, e estava lá eu também sozinho, ainda. Quando subi uma dezena de andares e passei a porta, contemplei-te. Foi exactamente como vejo esta árvore na berma da estrada agora, senti vácuo. Nem percebia a tua língua… Era familiarmente estranha. Parecias fria, branca, felina, muito bonita. Fria? (risos) Nem posso crer que estava tão enganado. Fria sim, estava a noite e tive, se queria provar em paz de consciência o sabor da shisha, agasalhar toda a gente. Camisolas, casacos, calças, isqueiros e… Aquela paisagem… É essa paisagem que vejo agora ao olhar para o exterior: a noite, quente (para mim, habituado estava a terras frias), e um milhar de pirilampos no horizonte. Estou a tentar reviver o sabor da shisha, mas não é igual. Simplesmente porque não é aquela noite. Porque sem ti não é igual, já não é. Exactamente como me acabou de acabar a shisha, na altura em que Lá, acabou o carvão e estavam todos cheios disto (ou daquilo) descemos para o apartamento. Enfim, a hora seguinte é peta, nem de nada me serve tentar escreve-la. Interessa sim, a tranquilidade em que Ele foi cultivado. Nunca tinha sido tão natural, tentava sempre agir como um parvo, louco pela fome. Talvez tenha sido por isso. Só sei que quando abri os olhos, e ouvi o pulsar mais alto que um comboio, percebi que algo estava erradamente bem. Volto a sublinhar, não quero mentir e falar que previa. Foi instinto encostar os meus aos teus, e mal me apercebi, já estava dentro de mim. E ainda não saiu, nem sai. Nem irá alguma vez sair. Para Sempre.

(Como é possivel sonhar acordado? 
Só espero nao estar a dormir.)

Já estava feito, já estava pecado…

E ainda bem!

(feliz?)

Para sempre…

“adoro-te miúda.”

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Alibi (de lobo a Tigre)

É uma nova fase. De lobo a Tigre, de canídeo a Felino, de rosnar a Rugir, de liso a Riscas. Dos olhos azuis para os Castanhos, do frio para o Calor, de terra para Continente, de conseguir milhares de palavras prontas a fugirem para o papel a não saber o que escrever. O problema é esse agora, é ter sobre o que escrever, mas não saber como transmiti-lo. Podia faze-lo: gritar como quero, fugir como quero. Mas nunca um fugir tanto agressivo como era o outro. É o negativo desse fugir. Desta vez fugia para Fonte Quente… Hum, hum, Fonte Quente! Tentar reviver a fome de lobo, voltar a ver o azul água e a rir calorosamente com a zebra. Ainda há-de voltar, eu sei, mas metamorfoseou com o tempo. Longe do olhar, longe do coração, sempre ouvi dizer, mas não acreditava. E não acredito. Acredito que algumas sensações guardam-se para sempre. Acredito que as guardo porque sei que também as guardas. Não é em vão que o faço, eu senti o que sentiste. Enfim, não tenho que me desculpar, já nem sou o mesmo, mas deixaste a tua marca de água. Foi de lobo a Tigre, mas não esqueço de quando era LOBO. Isto é um novo olá e não uma despedida. Mais tarde, e se mo pedires, eu faço-te o relatório. Eu sei que merecias mais qualquer coisa, mas dei o meu melhor.


Desculpa e…

Obrigado loba

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Copas ♥

Eu não percebo esta situação. Não entendo o que se passa, hoje, sinto que… Bem, nem percebo o que sinto. Mistura de saudade com tédio, dúvida e qualquer coisa doce, muito doce… A música dos 30 sempre me desperta qualquer coisa, costumava animar-me.

“This is war. Life is war. Beautiful Lie”

Hoje toda a gente me pergunta o que se passa… Porquê? Porque pus o capuz e tou com uma cara de sono? Nem a Luisinha ou a Leninha, nem as palhaçadas dos rapazes ou o Brinca com as parvoíces e palhaçadas absurdas me tiram deste estado de não sei quê. São as hormonas? Não me parece, há algum tempo que já não me dão trabalho. Eu sei o que é. Só não quero escrever com medo que realmente seja isso. Já me basta saber lá no fundo. Que isto não me chega. Que quero qualquer coisa mais. Ela existe desde o momento em que agarrou o meu queixo. Vive cá dentro, entranhou-se e agora sinto-me entranhado, emaranhado na minha cabeça. Apetece-me desenhar… Mas não tenho jeito e à muito que as cores já não pingam da minha cabeça para o papel. A única cor que chove dos meus olhos é uma cor vazia, e chove mesmo como a chuva. Tem a cor da saudade… Mas a saudade não tem cor… Mas é verdade que a única cor que me sai é essa. E sai porque já me inundou por dentro e tem de sair… Para o papel? Desenhar está fora de questão… E tenho saudades de o conseguir fazer. Então escrevo. Um texto (ou não) sem fundamento, um rascunho sem pés nem cabeça, uma borracha para tentar limpar o tédio ou uma fuga a esta aula de chacha que já tenho nota garantida. Talvez me apeteça dizer, ou sussurrar isso mesmo só pra calar todos os outros. Chama convencido por achar isto. Pois eu não acho ser convencido, penso mais que sejas tu a pessoa convencida.

Já sujei uma página. Não foi bem sujar, foi mais tentar dizer a alguém, duma maneira bizarra, que aquele poema (per)feito, ou aquela música tentadora no meu ouvido, cristalizou. Ouviste? Também te lembras, eu sei… Passas a vida a pensar nisso. E eu não passo? As pessoas pequenas, ou tenras de cabeça, sonham. Eu não me considero nesse baralho e no entanto tenho um problema de “sonho em excesso”. Sim, eu também passo a vida a sonhar… Em voltar a estar rodeado de água salgada outra vez, em sentir as vibrações das vespas, em voar aos rodopios para o oceano mais quente e rochoso. Das fotografias, daquele vicio de não ter nada pra fazer e do Sol a raiar por baixo da cortina/estore branca da varanda do apartamento. Sonhei um dia com isso. E agora sonho em voltar a sonhar com isso. E quando chegar o momento do sonho boiar à superfície da água, quando este se desvanecer no ar, vai voltar o desejo. Não passa dum desejo, dum sonho, duma perfeição imaginada, semivivida. “Distrai-me, por favor. Fala apenas sobre algo sem importância até que eu acalme.”. O telefone vibrou.


tenho saudades tuas…