Lembro-me da noite em que nasceu. Não é bem, bem uma lembrança. Porque é que a tento reproduzir ao escrever isto? Só te apetece escrever tigre, mas porque será? Ultimamente tem sido assim na minha cabeça… “O que é que estas a fazer?”, “Estou a desenhar professora”… Escrever deixou de ser desenhar? Quem me dera ser artista para pintar isto em vez de grafar. Ou então ser um peluche, um urso com um coração encarnado cosido no peito, um que tenta representar-me. Eu sei. Eu sei que não faz qualquer sentido o que escrevo pelo menos para vocês, os poucos que tem paciência para ler o ridículo blogue. Mas se o urso O consegue receber todos os dias, eu tento, ainda, compreende-lo. Esta é a história de quando voltei a poder ser eu, de quando Ele, fez com que, outra vez, eu volta-se a estar completo. Como é que é possível olhar para um descampado sujo e para uma rua vazia e ver uma outra paisagem?
Parece absurdo. Tudo começou numa máquina, no tão reconhecido faceboook. Foi um encolher de ombros, objectivamente porque sabia que de lá ia sair um novelo denso de arrependimento e problemas. Passou uma noite. No dia seguinte o calendário era melhor, uma tarde na praia. Uma praia negra coberta seixos negros escaldantes debaixo do salgado oceano e uma escarpa castanha, medonha, totalmente torta, lembrando uma certa torre torta em Itália. O dia foi feito de maus presságios, quer na estrada, quer na agua… Nem assim o meu espírito em férias acalmou a boa vibe. Não vou enganar que sabia o que ia acontecer. A Didi recebeu uma chamada, estava ela no Mac, e estava lá eu também sozinho, ainda. Quando subi uma dezena de andares e passei a porta, contemplei-te. Foi exactamente como vejo esta árvore na berma da estrada agora, senti vácuo. Nem percebia a tua língua… Era familiarmente estranha. Parecias fria, branca, felina, muito bonita. Fria? (risos) Nem posso crer que estava tão enganado. Fria sim, estava a noite e tive, se queria provar em paz de consciência o sabor da shisha, agasalhar toda a gente. Camisolas, casacos, calças, isqueiros e… Aquela paisagem… É essa paisagem que vejo agora ao olhar para o exterior: a noite, quente (para mim, habituado estava a terras frias), e um milhar de pirilampos no horizonte. Estou a tentar reviver o sabor da shisha, mas não é igual. Simplesmente porque não é aquela noite. Porque sem ti não é igual, já não é. Exactamente como me acabou de acabar a shisha, na altura em que Lá, acabou o carvão e estavam todos cheios disto (ou daquilo) descemos para o apartamento. Enfim, a hora seguinte é peta, nem de nada me serve tentar escreve-la. Interessa sim, a tranquilidade em que Ele foi cultivado. Nunca tinha sido tão natural, tentava sempre agir como um parvo, louco pela fome. Talvez tenha sido por isso. Só sei que quando abri os olhos, e ouvi o pulsar mais alto que um comboio, percebi que algo estava erradamente bem. Volto a sublinhar, não quero mentir e falar que previa. Foi instinto encostar os meus aos teus, e mal me apercebi, já estava dentro de mim. E ainda não saiu, nem sai. Nem irá alguma vez sair. Para Sempre.
(Como é possivel sonhar acordado?
Só espero nao estar a dormir.)
Já estava feito, já estava pecado…
E ainda bem!
(feliz?)
Para sempre…
“adoro-te miúda.”