“This is war. Life is war. Beautiful Lie”
Hoje toda a gente me pergunta o que se passa… Porquê? Porque pus o capuz e tou com uma cara de sono? Nem a Luisinha ou a Leninha, nem as palhaçadas dos rapazes ou o Brinca com as parvoíces e palhaçadas absurdas me tiram deste estado de não sei quê. São as hormonas? Não me parece, há algum tempo que já não me dão trabalho. Eu sei o que é. Só não quero escrever com medo que realmente seja isso. Já me basta saber lá no fundo. Que isto não me chega. Que quero qualquer coisa mais. Ela existe desde o momento em que agarrou o meu queixo. Vive cá dentro, entranhou-se e agora sinto-me entranhado, emaranhado na minha cabeça. Apetece-me desenhar… Mas não tenho jeito e à muito que as cores já não pingam da minha cabeça para o papel. A única cor que chove dos meus olhos é uma cor vazia, e chove mesmo como a chuva. Tem a cor da saudade… Mas a saudade não tem cor… Mas é verdade que a única cor que me sai é essa. E sai porque já me inundou por dentro e tem de sair… Para o papel? Desenhar está fora de questão… E tenho saudades de o conseguir fazer. Então escrevo. Um texto (ou não) sem fundamento, um rascunho sem pés nem cabeça, uma borracha para tentar limpar o tédio ou uma fuga a esta aula de chacha que já tenho nota garantida. Talvez me apeteça dizer, ou sussurrar isso mesmo só pra calar todos os outros. Chama convencido por achar isto. Pois eu não acho ser convencido, penso mais que sejas tu a pessoa convencida.
Já sujei uma página. Não foi bem sujar, foi mais tentar dizer a alguém, duma maneira bizarra, que aquele poema (per)feito, ou aquela música tentadora no meu ouvido, cristalizou. Ouviste? Também te lembras, eu sei… Passas a vida a pensar nisso. E eu não passo? As pessoas pequenas, ou tenras de cabeça, sonham. Eu não me considero nesse baralho e no entanto tenho um problema de “sonho em excesso”. Sim, eu também passo a vida a sonhar… Em voltar a estar rodeado de água salgada outra vez, em sentir as vibrações das vespas, em voar aos rodopios para o oceano mais quente e rochoso. Das fotografias, daquele vicio de não ter nada pra fazer e do Sol a raiar por baixo da cortina/estore branca da varanda do apartamento. Sonhei um dia com isso. E agora sonho em voltar a sonhar com isso. E quando chegar o momento do sonho boiar à superfície da água, quando este se desvanecer no ar, vai voltar o desejo. Não passa dum desejo, dum sonho, duma perfeição imaginada, semivivida. “Distrai-me, por favor. Fala apenas sobre algo sem importância até que eu acalme.”. O telefone vibrou.
tenho saudades tuas…
Sem comentários:
Enviar um comentário