sábado, 23 de outubro de 2010

Passeava um tigre na sua bela floresta.
Passeava toda a sua deslumbrante forma,
Com o seu andar felino,
E o leve despreocupar.

Andava por lá longe,
Solto,
Com as suas riscas de elegância,
Cruzando ramos e descruzando,
Os odores do crepúsculo,
Sem consciência.

Mas não só ele andava por lá,
Pois a solidão,
Do tigre da floresta era inimiga,
E um pôr-do-sol caminhava acolá,
Iluminando o riscado,
Talhando-o de doirados,
Com o seu terno olhar.

Raiva nele,
Como a luz da noite,
Semelhada pelo lago adormecido…
E calorosamente o acompanhava,
No seu deambular desprovido,
De qualquer noite ou frio.

Porém o claro do Sol cessava,
A cada trote do tigre,
Que pata a pata sulcava
A terra batida,
Com a sua corrida,
Para o suave luar,
Já possível de se avistar.



Foi então que,
Liberto da sua bela floresta,
O felino galopava num tronco pendido,
Que apegava as pontas duma cicatriz,
Feita pela mãe-natureza,
Para tingir o castanho e verde,
Com o azul da água que jorrava,
Fresca e cheia de beleza,
Pela catarata pueril.

Ao ver-se perdido
Pela sua inconsciência,
O tigre deteve-se…
E o impulso de voltar a ser aconchegado,
Pela sua floresta,
Apedrejou-o.
Mas o tigre conteve-se,
Pois a tela era deslumbrante,
E o frescor da água também acarinhava,
Enquanto o Sol gigante,
A sua pelagem doirada manchava,
Com o negro sombra do crepúsculo.

E o céu era laranja e encarnado,
E o sol era um meio círculo,
E o riscado apatanhava a sua orelha,
Deitado,
Por cima do tronco tombado,
Entre as pontas da floresta,
Dividida pela língua azul,
Que corava num alaranjado,
Sério que nunca tal cena modesta,
Seria tão bem amada.

E a cauda do tigre lá brincava,
Enquanto a noite não chegava…

Sem comentários:

Enviar um comentário