Tremo. Por todo o corpo, tremo.
Escrevi tanto que extingui a inspiração.
Com nostálgico medo, temo,
Que tenha findado mais c’a divina infusão.
Gastei toda a tinta.
Só me sobrou o cinzento.
Pinto, agora, com toda esta indistinta
Lamúria do meu decremento.
Talvez tenha colorido demasiado a tela.
Ou demasiado brusco.
Apenas sei que se esgotou numa centelha,
A tanta mancha que agora rebusco.
Possivelmente não fui artista suficiente.
E não medi bem as porções.
Desperdicei cor, impaciente,
Criando simplesmente borrões.
E pago agora por tal pressa.
Com saudade de quando tinha algo com que pintar…
Oxalá não tivesse ido tão depressa!
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