quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cicatriz

Dormia um lobo ao relento.
O frio soprava-lhe o pelo,
E o vento arrepiava-lhe a cauda, violento.

Ouve-se um uivo de solidão,
Solto dum desespero gelado
Do lobo abandonado na escuridão.

Havia-se abandonado sozinho,
Despreso do desprezo da matilha
Que tingira de cicatrizes o seu focinho.

Ao pobre, antes, uivara o frio e vento,
Tal proposta, ambos ouvira ingenuamente.
Respondeu ao vento, silenciosamente,
Silenciando que o ente era demente:
Em inícios frio e a meados quente.

Ao tanto frio uivou a pulmões de gente,
Pois o tanto era constante.
Vingando o sangue da traição dos ventos,
Preferiu então uivar frio ao frio,
Que quente uivar ao vento.

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