segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ir

Vento!
És brisa que vais sem vir,
Distante ou empolgante,
Nunca deixas de partir!
Melodioso é o timbre,
Desse grito majestoso,
Que sem rédeas de ninguém,
Tem liberdade de fugir.

Vento! Tentei ser como tu…
Senhor da liberdade,
Solto, cavalgando rabugento,
E do saber voar, sedento…

Vento!
Vi-te vasto e vagaroso,
Vi-te suave e nervoso,
Vi-te divertido e vezes por demais,
Invejei a tua liberdade e nada mais!

Vento! Tua (des)crença tento seguir,
Ser vagabundo desse teu conseguir,
Apesar de faminto e tanto tossir,
Sais ao dia com vontade de rugir.

Vento!
Breve vida ou veloz ouvir,
Voz vibrante que choves sem valor,
Vede como (não) vou e cessa esse dormir,
Leva-me à verdade, que vesgo já sinto dor!

Vento! Um dia hei-de ser como tu!
Farto estou de não poder sair!
A saudade enfraquece, não quero sucumbir,
Prometo o inocente amor dela divertir,
Ficarei sempre (lá) s’o desejo for d’eu não sair,
Liberta-me, por favor, deste suposto fingir
Imploro-te vento!

Eu quero ir

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